segunda-feira, 11 de outubro de 2010

Entrevista - Estudo aponta que jovens apoiam casamento homossexual

Abaixo, o texto na íntegra, de uma matéria do Jornal Manchete do Vale, na qual concedi entrevista sobre a união civil entre pessoas do mesmo sexo.


***


Estudo aponta que jovens apoiam casamento homossexual

Na amostragem geral, pesquisa ainda mostra resistência de boa parte da população

Uma Pesquisa realizada pelo Instituto de Pesquisas Sociais da Universidade do Vale do Itajaí (IPS Univali) apontou que 53,5% da população dos municípios de Balneário Camboriú, Camboriú, Itajaí e Navegantes é contrária a liberação do casamento entre pessoas do mesmo sexo. O índice de pessoas que aprovam a oficialização da relação é de 35,52%.

Não têm opinião formada ou não sabem somam 10,98%. Os jovens, entretanto, não seguem essa tendência e mostram-se favoráveis. De acordo com o coordenador executivo do IPS, Sérgio Saturnino Januário, 40, o índice de aceitação foi maior entre os jovens de 16 a 24 anos. “Os jovens hoje crescem sendo o tempo inteiro bombardeados por informações a respeito do assunto. Eles assistem na televisão a paradas gays, filmes e novelas e aceitam isto mais normalmente, concordando com o debate do assunto. Os mais velhos geralmente não estabelecem esta relação porque foram educados de modo machista, por uma sociedade mais tradicional”, analisa.

O levantamento demonstrou que entre os jovens de 16 e 17 anos o índice de pessoas que disseram que o casamento homossexual deve ser legalizado chegou aos 59,26% contra 33,33% contrários. Já na faixa que vai dos 18 até 24 anos o índice cai, mas continua favorável com 54,41% de aceitação para 39,71% de pessoas contrarias.

O jornalista Willian de Lucca, 25, é homossexual e concorda com Sérgio no que diz respeito à falta de informação dos mais velhos. “A quantidade de informações a que os jovens estão expostos é maior. Eles se atualizam mais, e a intolerância mora na falta de informação. As crianças de hoje em dia já nascem expostas a informações sobre diversidade sexual, étnica, religiosa, e isto é benéfico para a construção de uma cultura de diversidade”, comenta.

A partir dos 25 anos os índices mudam, tornando-se contrários ao casamento entre pessoas do mesmo sexo. A faixa entre os 60 e 69 anos passa a ser a menos tolerante, com 65,38% de pessoas contrárias para 22,53% de favoráveis. “Estas pessoas vêm de um tempo onde não havia informações claras sobre a homoafetividade, que na época era considerada um desvio de caráter, até uma doença, e por isso, existe o preconceito. Além do mais, as pessoas eram mais suscetíveis aos dogmas do cristianismo, que condena a prática homossexual”, declara Willian.

Pesquisa reacende debate

Willian contou que apesar de todas as informações, ainda existe preconceito contra homossexuais, principalmente vindo de adultos. “A gente ainda sofre, essencialmente, o preconceito velado, aquele que não é dito. Quando você assume certas posições, é normal que seja criticado. O problema não é quando criticam algo que você faz, mas algo que você é, porque ser gay não é uma escolha. Ninguém escolhe ser gay para sofrer preconceito, ser preterido socialmente”, desabafa, lembrando que além dos adultos, jovens desinformados também costumam ser preconceituosos.

Para Sérgio Saturnino a pesquisa ajuda a reacender o debate na sociedade, o que é muito importante. “Além dos números, a pesquisa coloca o tema na agenda pública, ela não vem sozinha, mas sim com a ajuda da imprensa que também aborda o tema. Assim, população se posiciona frente à pesquisa e se encaixa em um dos perfis”. Esta é a primeira pesquisa deste gênero, outra parecida deve ser feita daqui a 10 ou 12 meses, seguida por uma série de outros levantamentos para que se possa entender o comportamento da população. O erro amostral da pesquisa é de 2,38 pontos percentuais para mais ou para menos, com intervalo de confiança de 95%. A pesquisa completa está disponível no banco de informações do IPS Univali e pode ser conferida pelo www.univali.br/ips.

domingo, 10 de outubro de 2010

- Balão de mim.

Balão de mim,
cai na rua errada,
furado,
fodido,
pendurado num poste.

Estourei
por estar cheio demais
do vento errado.

Só sabe o que é sentir vazio,
quem um dia já esteve cheio.

quinta-feira, 5 de agosto de 2010

- Sem título.

Ele mente.
Os amigos nunca bastam.
Há sempre um buraco impreenchível,
uma olhar que nunca vem.

Há sempre a falta do amor que haverá pra sempre.

o amor nunca é. triste.

o amor nunca é triste.
a menos que ele não exista,
de fato,
ou por não ter começado,
de fato,
ou,
simplesmente,
por ter chegado ao fim.

o amor nunca é.
triste.

sábado, 24 de julho de 2010

- Frágil.

"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."

(Caio Fernando Abreu)

quinta-feira, 17 de junho de 2010

- Arte.

A vida é feita de momentos de dor.
A arte de viver é saber fazer as coisas serem suaves
nos intervalos entre uma dor e outra.

sábado, 29 de maio de 2010

Diálogos que precedem o silêncio (2)

- Você sabia que tens uma beleza incrível?
- Sério? Obrigado! Mas eu tenho muito mais coisas.
- Tipo o que?
- Herpes genital.
- (...)

Diálogos que precedem o silêncio (1)

- Ah, eu também ouço rock.
- Sério? E o que você ouve?
- Ah, já ouvi aquele... Skip... Slipknot!
- Pow, que legal! Eu também ouvia! O que você curtia?
- Aquele Vermilion Parte 2!
- E o que mais...?
- Só.
- (...)

domingo, 25 de abril de 2010

- Porque eu não sou obrigado a ser feliz o tempo todo.

DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DAS PESSOAS DESOBRIGADAS DA FELICIDADE CONSTANTE

I – Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um.

II – Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa da vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis.

III – Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com ar melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano.

IV – Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas.

V – Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de ferro e sabe sinalizar a hora de parar.

VI – Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer.

VII – Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota. ( Sobre isso, ouça esta canção. )

VIII – Toda pessoa tem o direito de se dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser rico, pois quem tem muito normalmente esquece como é viver com pouco.

IX – Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo da guarda.

X – Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém.

XI – Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver.

XII – Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente.

XIII – Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador.

XIV – Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um.

XV – Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele.

XVI – Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas.

XVII – Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.

Observação:. Diante de tantos direitos, fica estabelecido para a pessoa o dever de preservar os outros de suas más fases, evitando o desrespeito, a agressão e a impertinência, pois precisaremos dos outros para comemorar conosco quando tudo passar.

(Retirado de http://blog.mafaldacrescida.com.br/?p=227)

sábado, 6 de março de 2010

- Dois perdidos.

Sempre que vejo
outro beijo que não o meu,
destes cada vez mais raros,
parece que perco algo entre
aqueles dois perdidos.

Um pedaço de lingua,
uma saliva de salvação.