o amor nunca é triste.
a menos que ele não exista,
de fato,
ou por não ter começado,
de fato,
ou,
simplesmente,
por ter chegado ao fim.
o amor nunca é.
triste.
quinta-feira, 5 de agosto de 2010
sábado, 24 de julho de 2010
- Frágil.
"Frágil – você tem tanta vontade de chorar, tanta vontade de ir embora. Para que o protejam, para que sintam falta. Tanta vontade de viajar para bem longe, romper todos os laços, sem deixar endereço. Um dia mandará um cartão-postal de algum lugar improvável. Bali, Madagascar, Sumatra. Escreverá: penso em você. Deve ser bonito, mesmo melancólico, alguém que se foi pensar em você num lugar improvável como esse. Você se comove com o que não acontece, você sente frio e medo. Parado atrás da vidraça, olhando a chuva que, aos poucos começa a passar."
(Caio Fernando Abreu)
quinta-feira, 17 de junho de 2010
- Arte.
A vida é feita de momentos de dor.
A arte de viver é saber fazer as coisas serem suaves
nos intervalos entre uma dor e outra.
sábado, 29 de maio de 2010
Diálogos que precedem o silêncio (2)
- Você sabia que tens uma beleza incrível?
- Sério? Obrigado! Mas eu tenho muito mais coisas.
- Tipo o que?
- Herpes genital.
- (...)
Diálogos que precedem o silêncio (1)
- Ah, eu também ouço rock.
- Sério? E o que você ouve?
- Ah, já ouvi aquele... Skip... Slipknot!
- Pow, que legal! Eu também ouvia! O que você curtia?
- Aquele Vermilion Parte 2!
- E o que mais...?
- Só.
- (...)
domingo, 25 de abril de 2010
- Porque eu não sou obrigado a ser feliz o tempo todo.
DECLARAÇÃO LIVRE DOS DIREITOS DAS PESSOAS DESOBRIGADAS DA FELICIDADE CONSTANTE
I – Toda pessoa tem o direito de errar, mesmo que já tenham explicado a ela mil vezes o certo sem que ela tenha entendido, pois o tempo de compreender e aprender é de cada um.
II – Toda pessoa tem o direito de mudar de idéia, de se contradizer, de voltar atrás, de recomeçar, pois a melhor coisa da vida é mudar, principalmente nas coisas que a gente pensava serem imutáveis.
III – Toda pessoa tem o direito de chorar, de sentir dor, de soluçar e de ficar com ar melancólico, pois o riso, muitas vezes, é falso, enganador e insano.
IV – Toda pessoa tem o direito de fazer silêncio, de calar, de não responder, de ficar quieta e não sair tagarelando, pois no silêncio estão as melhores respostas.
V – Toda pessoa tem o direito de se cansar e de ficar doente, pois o corpo, muito mais sábio que a mente, não é de ferro e sabe sinalizar a hora de parar.
VI – Toda pessoa tem o direito de enraivecer, de xingar, de esmurrar as paredes, de jogar coisas no chão, de gritar. Pois, como disse aquele poeta, tem coisas que só o grito consegue dizer.
VII – Toda pessoa tem o direito de perder, pois só quem perde sabe o quão inesquecível e instrutiva pode ser uma derrota. ( Sobre isso, ouça esta canção. )
VIII – Toda pessoa tem o direito de se dar mal nos negócios, de não conseguir lidar com dinheiro, de não querer ser rico, pois quem tem muito normalmente esquece como é viver com pouco.
IX – Toda pessoa tem o direito de ter medo, pois o medo é um bom anjo da guarda.
X – Toda pessoa tem o direito de duvidar, de perder a fé e de achar que tudo vai dar errado, pois às vezes, tudo dá errado mesmo, e não é culpa de ninguém.
XI – Toda pessoa tem o direito de não saber, pois quem já sabe tudo perde o motivo de viver.
XII – Toda pessoa tem o direito de falar bobagem, pois nem sempre é legal ser inteligente.
XIII – Toda pessoa tem o direito de se esconder, pois todo refúgio é recuperador.
XIV – Toda pessoa tem o direito de se achar o camarada mais ferrado do mundo, pois o problema de cada um é o pior do mundo para cada um.
XV – Toda pessoa tem o direito de reclamar, pois externar o descontentamento ajuda a gente a pensar sobre ele.
XVI – Toda pessoa tem o direito de desperdiçar uma boa chance, pois mesmo as boas chances, muitas vezes, não chegam em boas horas.
XVII – Toda pessoa tem o direito de não ser feliz incondicionalmente o tempo todo, pois a infelicidade faz parte da vida. E é mais feliz quem sabe lidar com ela do que quem a ignora.
Observação:. Diante de tantos direitos, fica estabelecido para a pessoa o dever de preservar os outros de suas más fases, evitando o desrespeito, a agressão e a impertinência, pois precisaremos dos outros para comemorar conosco quando tudo passar.
(Retirado de http://blog.mafaldacrescida.com.br/?p=227)
sábado, 6 de março de 2010
- Dois perdidos.
Sempre que vejo
outro beijo que não o meu,
destes cada vez mais raros,
parece que perco algo entre
aqueles dois perdidos.
Um pedaço de lingua,
uma saliva de salvação.
quarta-feira, 3 de março de 2010
- Conversando, Caio.
Veja, Caio:
Há muitos
Não devem ser todos juntos
Não podem ter todos par
Não ousam querer o mesmo!
(- Ousam?)
Todos colados
Em fileiras simetricamente desalinhadas
Filas que se beijam em dois espelhos frente a frente
Sem um que o valha
Sem um que me seja
Sem um que procure nestes dias azuis
Um’outra solidão igual a sua
Pra na matemática sem sentido do amor
Faça somar as dores e haver menos dor de resultado.
Pra fazer menos sofrido esse nosso acordar deste sono de ser só que nunca passa.
(- O eterno bocejo)
A cada passo, Caio,
Vejo menos gente ao meu redor
(- Algum dia estiveram contigo?)
A cada tropeço, Caio,
Menos tensiono-me a levantar.
(- E se for, afinal, o chão o que tens de beijar?)
domingo, 10 de janeiro de 2010
- Perguntas que o manual não responde.
Por que eu não consigo ver as pessoas felizes
realmente felizes, com as pequenezas de suas vidas,
sem ficar com um frio colossal na barriga?
Que diabos é isso?
Inveja?
Culpa?
Mágoa?
Rancor de sei lá quem?
Tristeza de sei lá quando?
De onde vem isso? Da cabeça,
do figado, do coração?
De onde vem essa ânsia de viver o que eu não sou?
De onde vem essa ânsia de ser o que eu não viverei?
De onde brota?
De onde floresce, flor de velório?
Eu quem as rego,
são as lágrimas turvas de antes?
É o choro contido de agora?
Ou a resignação seca que virá?
Me acalmei.
Tomei um copo de água vazio.
Procurei no indíce remissivo.
Último verbete.
Abri na página 134.
Ela estava em branco.
realmente felizes, com as pequenezas de suas vidas,
sem ficar com um frio colossal na barriga?
Que diabos é isso?
Inveja?
Culpa?
Mágoa?
Rancor de sei lá quem?
Tristeza de sei lá quando?
De onde vem isso? Da cabeça,
do figado, do coração?
De onde vem essa ânsia de viver o que eu não sou?
De onde vem essa ânsia de ser o que eu não viverei?
De onde brota?
De onde floresce, flor de velório?
Eu quem as rego,
são as lágrimas turvas de antes?
É o choro contido de agora?
Ou a resignação seca que virá?
Me acalmei.
Tomei um copo de água vazio.
Procurei no indíce remissivo.
Último verbete.
Abri na página 134.
Ela estava em branco.
sexta-feira, 1 de janeiro de 2010
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